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Alice no país das maravilhas

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A boa educação das crianças inicia-se com a leitura das obras da literatura infantil. Ainda não integradas na lógica perversa da vida adulta, as crianças estão imersas na saudável vida lúdica literariamente traduzida nos contos de fada. Este método pedagógico, negligenciado pelas deficiências educativas das escolas, é uma excelente estratégia educacional para a transição sem grandes traumas da lúdica infância para a fria lógica do adulto. Mas, sem o preparo profissional suficiente, o pedagogo raciocina com a egocêntrica lógica adulta, e considera os contos infantis uma ingênua literatura de recreação infantil. E o estrago que essa ingenuidade adulta causa à educação das crianças pode comprometer toda aprendizagem escolar posterior dos alunos, cuja resistência aos atuais métodos pedagógicos das escolas é o centro propagador das rebeldias dos jovens e adolescentes, que tanto amarguram os professores. Não há nas escolas uma pedagogia centrada no desenvolvimento afetivo e intelectual dos alunos, tratados como pequenos e imaturos adultos pelos sistemas educacionais. Os exemplos desse preconceito educacional são muitos, e revelam-se trágicos, como na decisão do governador Geraldo Alckmin de invadir as escolas ocupadas por estudantes resistentes à sua mal explicada reforma educacional. Mais uma vez, o arrogante Poder apenas monologa, enquanto finge dialogar com os estudantes.
Contrariando essa violência institucionalizada, os contos infantis ressaltam o humanismo das crianças, o seu otimismo em relação à vida, e constroem literariamente o lúdico mundo infantil, repleto de esperanças, dúvidas, receios, inseguranças, espantos, alegrias, e uma riqueza infindável de sentimentos espontâneos, que os adultos reprimem em seu inconsciente. Por essas razões, comemoramos no último dia 26, cento e cinquenta anos da primeira publicação de Alice no País das Maravilhas, do professor inglês Lewis Carroll. É considerado o primeiro livro infantil da modernidade, sem a tradicional moral dos livros infantis anteriores, enaltecedor da curiosidade e do anarquismo das crianças, e evocador da literatura nonsense, do cubismo, do surrealismo, da expansão psicodélica da consciência, e contestador da rígida educação vitoriana daquela época. Nessa obra, a menina Alice entra em um mundo subterrâneo de fantasias, onde encontra um gato risonho, uma lagarta fumante e a Rainha de Copas, vivendo em um ambiente repleto de situações surreais. Um mundo vivido intensamente pelas crianças, mas que entre os adultos refugia-se nos sonhos noturnos. E para quem não acredita na existência do mundo surrealista, analise os acontecimentos no mundo político de Brasília. Um desfile kafkiano de badalados políticos, confessos respeitadores das leis, representantes dignos da população, e de repente o Mensalão e a Lava Jato prendem muitos desses cidadãos por envolvimento em contínuas corrupções. Ou seja, esses políticos vivem uma paródia do mundo surrealista revelado por Lewis Carroll em seu livro Alice no País das Maravilhas. Mas com uma diferença essencial: Alice vive no mundo espontâneo das maravilhas, os políticos lá de cima vivem no mundo cínico da falsa honestidade. Escrito há 150 anos, esse clássico da literatura infantil continua seduzindo adultos e crianças, pois seu mundo utópico é uma herança da nossa infância, que as perversões do mundo adulto não conseguiram sufocar. Se escrito no Brasil, esse livro chamaria Alice no País das Bandalheiras.

 
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